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Pintora
e desenhista . Pelotas, RS, 1946.
Eventualmente pratica escultura e faz experiências com
papier-mâché. Formada em Artes Plásticas pela Escola de
Artes da UFRGS em 1966, fez aperfeiçoamento na mesma
escola no ano seguinte, onde foi aluna de Ado Malagoli,
pelas mãos de quem realizou sua primeira mostra
individual, Galeria Espaço, Porto Alegre, 1966. A partir
de então, firmou-se como um dos mais expressivos valores
da arte no Rio Grande do Sul.
Realizou diversas exposições individuais de impacto,
como Galeria Leopoldina, 1967;
Galeria do IAB, 1977; e Galeria Independência, 1979,
quando faz sua despedida do Sul.
Nessa ocasião, Sergius Gonzaga anotou: “ A arte de
Magliani tem a densidade de um pesadelo opressivo
[...]Penso que esses trabalhos devem ser vistos de outro
ângulo: que descubramos neles a alegoria de nosso tempo,
uma espécie de metáfora de uma época de deformação e
aviltamente do ser humano. A um universo histórico de
autoritarismo, violência, corrupção e impunidade
corresponderá uma arte aberta para o caricatural, o
feio, o sórdido. Uma arte reveladora – apesar de sua
linguagem simbólica -, o grau de coisificação a que
fomos submetidos [...] os seres de Magliani nos remetem
obrigatoriamente para a realidade que os tornou
possível. A isso chamamos arte social. Enfim, não se
busque em Magliani o adorno para a sala de jantar. A cor
onde repousam os olhos e a consciência dos objetos que
ela produz então carregados de uma força tão visceral,
possuem uma tal carga de denúncia, que impossibilitam o
deleite estético burguês ou a indiferença. Conhecer a
arte de Magliani é predispor-se ao ferimento. Realizou
ilustrações para jornais de Porto Alegre como Folha da
Manhã e Zero Hora, criou capas de livros e cartazes.
Também realizou algumas xilogravuras. Quando residia em
Porto Alegre, dedicou-se um período, nos anos 60, a
fazer teatro, como atriz. Integrou o elenco de montagens
como La Celestina, de Rojas, As criadas, de Jean Genet,
e no papel titulo de O Negrinho do Pastoreio, de Delmar
Mancuso. Em 1980 transfere-se para São Paulo.
Realiza individual na Galeria Paulo Figueiredo, São
Paulo, e faz ilustrações para jornais.
Uma das características de seus trabalhos é enfeixá-los
por séries tituladas, o que permite mapear sua obra,
como por exemplo; Objetos de cena, 1975, Ela, 1978,
Brinquedo de armar, 1979, Breve História da Infância,
1978, Retratos Falados, 1981, Encontros numa esquina,
1981, Como o nosso amor, 1982, Relatos em câmara lenta,
1985, Sempre retornou ao Sul.
Expôs em diversas ocasiões na Galeria Tina Presser,
Porto Alegre. Fixou-se durante uma década em Tiradentes,
Minas Gerais. O catálogo Geral das Obras do MARGS, Porto
Alegre, aponta, em seu acervo, Pintura I, Da série
anotações para uma estória - Passantes. Ao final de
1996, volta a residir em São Paulo, retoma o trabalho de
ilustradora e passa a atuar no Caderno 2 de O Estado de
São Paulo. É focalizada e consta com ilustrações no
livro das pesquisadoras Ursula Rosa da Silva e Mari
Lúcie da Silva Loreto, História da arte em Pelotas a
pintura de 1870 a 1980. A partir de 1997 passa a residir
no Rio de Janeiro,fixando-se no bairro das artistas;
Santa Tereza. Em 1999 volta a residir no Rio Grande do
Sul, mas em 2000 volta ao Rio de Janeiro.
Esta biografia foi retirada do Dicionário Artes
Plásticas no Rio Grande do Sul. Autores: Renato Rosa e
Décio Presser - Editora da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul. |