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Escultor. Montevidéu, Uruguai, 1951.
Estudou na Escola de Belas Artes de Montevidéu. Reside
em Porto Alegre desde 1970. Criou, em 1974, juntamente
com Elizabeth Nunez, Wilson Cavalcante e Maria Tomaselli,
o Mercadão da Arte. Após experiências em técnicas como
desenho, histórias em quadrinhos e desenho publicitário,
retoma à escultura em 1983. Dois anos depois figura no
livro Artistas da cerâmica brasileira, de Jacob
Klintowitz. Pesquisa materiais como resina, bronze,
tinta automotiva, acrílica e cerâmica. Desenvolve um
trabalho irreverente, que mereceu comentário de Angel
Kalemberg, durante a XIX Bienal Internacional de São
Paulo, em 1987, a propósito da obra Juízo, purgatório e
paraíso dos farofeiros: Nakle fusiona o homem com o
animal, ou o contorna ou superpõe. Zoomorfisa parte do
humano; cabeça ou membros. Mas esses monstros expressam
as fantasmagorias de seu autor, liberam suas repressões
que, de alguma maneira, são as de nossa sociedade; do
mesmo modo como os bestiários medievais veiculizavam os
medos e os sistemas místico-religiosos daquela época.
Realizou individuais em importantes e consagrados
espaços no exterior como o Stedelijk Museum, em
Amsterdã, Holanda. Em 1989 foi artista convidado da III
Bienal de Cuba. Expôs no Uruguai, Argentina e Chile.
Vive e trabalha em Porto Alegre. Realizou individuais na
Cezar Prestes Arte e Espaço Cultural NET, ambas em Porto
Alegre, 1996, sob o título geral de Torre de Babel, com
apresentação de Angélica Moraes: Nakle faz refletir
sobre os rumos do chamado processo civilizatório. O
artista é o demiurgo de uma babel movida por uma ironia
humanista, que aponta o ridículo para sonhar o sublime.
Possui obras no acervo do Museu Blanes, Montevidéu,
Uruguai.
Fonte: Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do
Sul / Renato Rosa e Décio Presser – Porto Alegre: Ed.
Universidade/UFRGS, 1997. |