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Virgílio é carioca e adora o Centro do Rio, com suas
ruas antigas, onde velhos sobrados sobrevivem convivendo
com prédios modernos, fazendo um cenário para o
incessante vaivém dos pedestres, que dão calor à vida do
cotidiano da cidade. Ele é capaz de pintar, na Praça da
Bandeira, no Rio de Janeiro, numa manhã de
Segunda-feira, em plena chuva!
Em 1974, após um acidente, a vida me impôs uma nova
realidade. Eu, que era destro, tive que aprender a usar
o braço esquerdo, foi justamente aí que eu descobri a
pintura. Fui apresentado ao professor Antenor Finatti
que ministrva aulas de pintura na SBBA - foram quatro
anos freqüentando as aulas no atelier e ao ar livre nos
fins de semana. Foi exatamente aí, em contato com a
natureza e depois de ter lido bastante sobre a História
da pintura e visto que os pintores sempre tiveram
contato com o campo - sobretudo os pintores
impressionistas franceses - que percebi o caminho que eu
deveria tomar, ou seja, sempre me colocar de uma maneira
humilde diante da natureza e sempre consultá-la, visto
que ela é mestra de mestres.
Do Rio de Janeiro partiu para o mundo e foi traçando e
pintando os caminhos, sempre com entusiasmo, cheio de
desejo e de esperança, ventos necessários para a viagem
da vida.
Pintou Paris, de lá trazendo imagens vivas, ou melhor,
crônicas do Boulevard Saint-Germain, do Jardin des
Tuilleries, do Moulin Rouge, entre outras. Em Portugal,
fez a crônica de Lisboa, subindo ao Bairro Alto,
percorrendo as vielas de Alfama e mirando o Tejo; também
lançou nas telas as impressões de Sintra, de Cascais, de
Évora, de Braga e da cidade do Porto.
Ateliê do Virgílio:
"O meu ateliê é muito grande, é a rua, os lugares onde
estou naquele momento" |